Boas práticas para o manejo de água: o caso da RPPN Lontra
Você já ouviu falar em boas práticas para o manejo de água? O termo se refere às estratégias voltadas para melhorar a qualidade e a quantidade desse recurso no planeta.
No Brasil, esse tema se torna especialmente importante diante da dimensão do território e de uma população que ultrapassa 213 milhões de pessoas. A água é um recurso indispensável para atividades como agricultura, pecuária, indústria e consumo humano, o que faz com que a gestão adequada dos recursos hídricos seja um fator decisivo para garantir equilíbrio entre produção, conservação e bem-estar das comunidades.
E isso é muito importante no Brasil, considerando que, embora seja reconhecido como um país rico em água doce, a disponibilidade desse recurso não é distribuída de forma uniforme pelo território.
Segundo informações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aproximadamente 80% da disponibilidade hídrica nacional está concentrada na Região Hidrográfica da Bacia Amazônica, enquanto outras regiões convivem com maior pressão sobre os recursos hídricos. Diante disso, é fundamental assegurar um uso consciente da água.
É nesse contexto que a Bracell vem atuando há décadas, com iniciativas voltadas à preservação, ao monitoramento e ao uso consciente da água em suas operações.
Um exemplo desse compromisso é a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Lontra, no litoral norte da Bahia. Região de floresta nativa onde a empresa instalou um novo vertedouro com o objetivo de aprimorar o monitoramento hídrico, fortalecendo a compreensão da dinâmica da água e subsidiando ações voltadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos hídricos.
Ficou interessado em saber mais? Neste conteúdo, você vai entender melhor o que é o manejo da água, por que ele é tão importante e como a instalação dessa nova estrutura na RPPN Lontra contribui para fortalecer o manejo hídrico na Bahia, gerando dados, conhecimento e referências para uma gestão mais responsável dos recursos naturais.
Boa leitura!
O que é manejo de água?
O manejo da água é o conjunto de práticas e estratégias voltadas à gestão responsável dos recursos hídricos, considerando tanto a quantidade quanto a qualidade da água disponível em determinada área.
Na prática, essa gestão hídrica inclui ações como o monitoramento periódico da qualidade da água, o monitoramento da vazão dos rios e a avaliação do balanço hídrico – ou seja, a relação entre a água que entra em uma bacia hidrográfica, por meio das chuvas, e a que sai pelo rio.
Ao realizar o monitoramento quantitativo e qualitativo contínuo da água, é possível avaliar se determinado manejo está adequado ou se ajustes são necessários para preservar os cursos d’água, se existe poluição e como evitá-la, além de promover um uso mais responsável e equilibrado dos recursos hídricos.
Principais técnicas e ferramentas usadas no manejo da água
Para realizar o manejo da água de forma eficiente, é necessário combinar diferentes técnicas e ferramentas que permitam acompanhar o comportamento dos recursos hídricos, avaliar impactos ambientais e orientar decisões sobre o uso da água a longo prazo.
Entre as principais práticas adotadas nesse contexto, estão:
- monitoramento hídrico: conjunto de ações voltadas à coleta e à análise contínua de dados sobre a água, como volume de chuvas, vazão do rio, características físicas e químicas da água e avaliações biológicas. Isso nos permite avaliar as condições dos recursos hídricos ao longo do tempo e identificar tendências de curto ou de longo prazo;
- medição de vazão: técnica utilizada para quantificar o volume de água que passa por determinado ponto de um rio ou curso d’água em determinado tempo;
- análise da qualidade da água: é o acompanhamento de parâmetros físicos, químicos e biológicos, com base em referências técnicas e normativas, para verificar se a água está adequada aos diferentes usos e identificar possíveis alterações associadas, ou não, às atividades humanas;
- modelagem hidrológica: utiliza métodos matemáticos e estatísticos para representar os processos hidrológicos de uma bacia hidrográfica, permitindo simular e prever o comportamento do fluxo de água e apoiar a gestão dos recursos;
- controle de erosão: conjunto de práticas voltadas à evitar que o solo seja carregado pela ação da água ou do vento, reduzindo riscos como o assoreamento de rios, a perda de nutrientes do solo e a manutenção da qualidade da água;
- manejo integrado da paisagem: considera, de forma conjunta, os sistemas produtivos, o uso do solo e os recursos naturais em determinada área.
Outras tecnologias também podem ser empregadas para ampliar e qualificar as pesquisas nesses locais. Entre elas estão as geotecnologias, os equipamentos e ferramentas para o monitoramento da fauna e da flora, além de sensores climáticos e sistemas específicos de monitoramento florestal.
Com o apoio de gráficos, séries históricas e análises comparativas, é possível compreender melhor o comportamento da quantidade e da qualidade da água do rio, identificar variações ao longo do tempo e embasar decisões mais precisas que nos ajudem a melhorar o manejo da água.
Leia também: Georreferenciamento de imóveis rurais: 10 coisas que você precisa saber
Monitoramento hídrico: por que é uma etapa importante do manejo da água?
Por meio da coleta sistemática de dados, é possível entender como e quando a água que chove em uma bacia chega ao rio, como ela varia em função das diferentes épocas do ano, das alterações feitas no manejo florestal e como as mudanças climáticas estão impactando a disponibilidade e qualidade da água.
Mais do que medir volumes ou registrar parâmetros isolados, o monitoramento fornece informações estratégicas para a tomada de decisão. Dados consistentes permitem antecipar riscos, identificar alterações nos padrões naturais, avaliar a eficiência das práticas adotadas e orientar ajustes no manejo, contribuindo para o planejamento territorial e o uso responsável da água em diferentes contextos produtivos e ambientais.
O monitoramento hídrico pode reunir diferentes tipos de informações, como:
- vazão e nível dos cursos d’água: acompanhamento do volume de água que escoa pelos rios e córregos ao longo do tempo;
- regime de chuvas e infiltração: avaliação da quantidade de água que entra no sistema por meio das precipitações e da sua absorção pelo solo;
- qualidade da água: análise de parâmetros físicos, químicos e biológicos, como pH, sedimentos em suspensão, cor, turbidez e concentração de nutrientes;
- temperatura da água e do solo: dados que ajudam a compreender variações ambientais e seus efeitos sobre os corpos d’água;
- uso e cobertura do solo na bacia hidrográfica: informações que permitem relacionar práticas de uso do território com possíveis impactos nos recursos hídricos.
No caso da Bracell, o monitoramento da qualidade da água é realizado com base em critérios técnicos estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), órgão responsável por definir padrões e limites máximos para diferentes parâmetros de qualidade da água no Brasil.
A partir dessas referências, é possível classificar a água de acordo com seu uso e verificar se os indicadores analisados permanecem dentro dos níveis adequados. Contudo, a empresa também busca outras fontes para tornar nosso monitoramento mais robusto, como as recomendações do PROMAB, por exemplo.
Por exemplo: se determinada substância presente na água, como o nitrato, possui um limite máximo estabelecido pelo CONAMA, os resultados do monitoramento devem permanecer abaixo desse valor para que a água seja considerada de boa qualidade.
Caso Bracell: como a instalação de um novo vertedouro fortalece o manejo da água na Bahia
Como parte de sua estratégia de manejo da água, a Bracell ampliou suas iniciativas de monitoramento hídrico na Bahia com a instalação de um novo vertedouro em floresta nativa no Riacho Seco, um afluente do rio Sauípe. O vertedouro fica localizado dentro da RPPN Lontra, entre os municípios de Entre Rios e Itanagra, no litoral norte do estado.
A iniciativa se conecta a um trabalho de longo prazo da empresa. Em 1996, a Bracell instalou seu primeiro vertedouro na microbacia do rio Farje, em Alagoinhas (BA), com o objetivo de entender como a água se comporta em áreas onde há cultivo de eucalipto.
Com a instalação do novo vertedouro na RPPN Lontra, a Bracell amplia esse olhar ao incluir uma área de floresta nativa como referência. Isso permite comparar dados de ambientes preservados com aqueles obtidos em áreas produtivas, aprofundando a compreensão sobre a relação entre o manejo florestal e o fluxo hídrico.
Por que a RPPN Lontra foi escolhida para o monitoramento hídrico?
A RPPN Lontra foi escolhida para a instalação do novo vertedouro por reunir características que a tornam nossa principal referência de floresta nativa no norte da Bahia. A mais notável delas é a dimensão da área preservada, que soma 1.377 hectares.
Além disso, o trecho selecionado apresenta fluxo contínuo, com escoamento em linha reta e relevo levemente inclinado, fatores que evitam o refluxo e eliminam possíveis erros na medição de vazão, melhorando para a confiabilidade dos dados.
Inserida em uma área reconhecida pela Unesco como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o vertedouro da RPPN Lontra permite à Bracell comparar informações obtidas em uma floresta nativa com dados de áreas cultivadas. Através dessa comparação poderemos entender quais são as diferenças entre os dois ambientes e se o manejo realizado em áreas de eucalipto apresenta, por exemplo, uma qualidade de água semelhante à uma região de floresta natural.
Os dados gerados a partir desse monitoramento são compartilhados com o Programa Cooperativo de Monitoramento e Modelagem em Microbacias Hidrográficas (PROMAB), do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), parceiro da Bracell na avaliação hídrica. Uma das principais atribuições do PROMAB é auxiliar na análise dos resultados e sugerir estratégias de manejo que possam reduzir os possíveis impactos causados pelo manejo florestal da Bracell.
Você também pode se interessar: Como o Compromisso Um-Para-Um levou a Bracell ao Prêmio Eco Amcham 2025
O que o novo vertedouro na RPPN Lontra permite medir e por que isso é importante?
O novo vertedouro instalado na RPPN Lontra foi projetado para acompanhar o comportamento da água em diferentes condições, permitindo a medição tanto de vazões mínimas do rio como também em períodos de cheia.
A partir dessa estrutura, são realizadas avaliações quantitativas e qualitativas do curso d’água do Riacho Seco. Esses dados permitem compreender, a médio prazo, como o manancial responde às mudanças sazonais, às chuvas e a outros fatores ambientais.
O monitoramento é realizado de forma contínua, com apoio de sensores que registram as variáveis do vertedouro e da chuva a cada 15 minutos. Além disso, são feitas coletas de campo quinzenais e análises mensais da qualidade da água, garantindo uma base de dados consistente e comparável.
Os dados obtidos na RPPN Lontra também passam a atuar como referência para outras áreas monitoradas pela Bracell, como a microbacia do rio Farje. Essa comparação amplia o entendimento sobre a relação entre o manejo florestal e o fluxo hídrico, apoiando o direcionamento de medidas que reforçam a sustentabilidade das operações.
Em resumo
Ao longo deste conteúdo, foi possível perceber como o manejo da água é importante para garantir a disponibilidade e a qualidade desse recurso, considerando sua importância para a sobrevivência humana e para atividades como agricultura, pecuária, indústria e abastecimento das cidades.
A adoção de boas práticas permite reduzir impactos ambientais, apoiar o uso responsável da água e contribuir para a conservação dos ecossistemas.
E Bracell atua há muitos anos nesse compromisso, investindo em iniciativas que buscam beneficiar a comunidade, o país, o clima, os clientes e a própria companhia. A instalação do vertedouro na RPPN Lontra reforça essa abordagem ao utilizar a floresta nativa como ponto de referência para avaliar a qualidade e a quantidade da água.
A partir dessa comparação, a empresa consegue analisar se suas práticas de manejo florestal estão alinhadas a esse padrão e identificar oportunidades de aprimoramento contínuo.
Esse compromisso com o manejo responsável da água só é possível a partir do monitoramento e da geração de dados consistentes, que orientam ajustes, fortalecem a sustentabilidade das operações e ampliam o entendimento sobre a relação entre o uso do solo e o fluxo hídrico.
Se você ficou com alguma dúvida sobre o processo de manejo da água, compartilhe conosco no campo de comentários abaixo. Será um prazer ajudar!
Deixe um comentário