Restauração ecológica em 5 passos: descubra como planejar, executar e acompanhar a restauração ecológica para recuperar áreas degradadas
Você sabia que o Brasil tem potencial para restaurar mais de 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030, e que essa restauração pode gerar benefícios diretos para o clima, a biodiversidade e a agricultura?
A restauração ecológica é uma das soluções mais eficientes para enfrentar as mudanças climáticas e promover o uso sustentável da terra. Para o produtor rural, ela representa uma oportunidade de valorizar a propriedade, estar em conformidade com a legislação e contribuir com metas globais de sustentabilidade.
Por isso, é fundamental que os produtores rurais saibam como realizar esse procedimento de forma correta e legalmente segura, conhecendo seus benefícios ambientais e sociais.
Quer saber o que é restauração ecológica e como realizá-la? Nesse artigo, explicamos tudo em 5 passos!
E um spoiler: no final, deixamos um material especial preparado para você!
Vamos lá?
O que é restauração ecológica?
A restauração ecológica é o processo de auxiliar a recuperação de ecossistemas nativos que foram degradados, danificados ou destruídos ao longo do tempo.
Seu objetivo é restabelecer as condições necessárias para que a vegetação volte a se desenvolver, permitindo que o ambiente recupere sua biodiversidade, suas funções ecológicas e os serviços ambientais essenciais, como proteção do solo, equilíbrio hídrico e suporte à vida silvestre.
Esse processo é planejado e orientado por critérios técnicos, que consideram fatores como o bioma em que a área está inserida, o histórico de uso do solo, o potencial de regeneração natural e as espécies que originalmente compunham aquele ecossistema.
Nesse sentido, restauração ecológica não é sinônimo de reflorestamento. Para além de plantar árvores, restauração é um trabalho mais amplo que busca recuperar o “funcionamento” do ecossistema de forma integral.
Quem pode realizar a restauração ecológica?
Segundo o WRI Brasil, a restauração ecológica pode ser realizada por diferentes atores, que atuam de forma complementar para recuperar áreas degradadas, garantir o cumprimento da legislação e promover práticas sustentáveis no território. Esse trabalho reúne desde proprietários rurais, empresas, até instituições de pesquisa e comunidades científicas.
Entre os principais responsáveis por conduzir ou apoiar projetos de restauração estão:
- produtores rurais e proprietários de terra, que precisam recuperar APPs (Áreas de Preservação Permanente), Reserva Legal ou áreas degradadas para atender à legislação ou interesse produtivo;
- empresas dos setores florestal, agrícola, de energético e de infraestrutura, que realizam restauração como parte de programas ambientais, compensações legais ou programas de responsabilidade socioambiental;
- órgãos públicos e instituições ambientais, incluindo secretarias governamentais, e unidades de conservação, responsáveis por políticas, fiscalização e apoio técnico. Um dos exemplos é a Petrobrás, que já investiu mais de R$ 100 milhões para financiamento de projetos de reflorestamento;
- equipes técnicas e profissionais especializados, como engenheiros florestais, agrônomos, biólogos e gestores ambientais, que atuam no diagnóstico, planejamento, implantação e monitoramento das áreas, conforme explica a Sobre Rebre;
- organizações ambientais, ONGs e cooperativas, como a The Nature Conservancy, que desenvolvem projetos em larga escala, produzem pesquisa aplicada e fortalecem processos de educação ambiental.
A restauração é, portanto, um esforço coletivo, que depende da colaboração entre diferentes setores para garantir resultados consistentes e duradouros.
Vamos agora aos 5 passos que mostram como realizá-la.
Passo a passo para fazer a restauração ecológica
Se você tem interesse ou precisa restaurar e regularizar sua propriedade, é preciso seguir um conjunto de etapas para garantir que o processo seja eficiente, seguro e alinhado à legislação. A boa notícia é que, com um planejamento estruturado, esse caminho se torna muito mais fácil.
A seguir, explicamos como iniciar esse processo e quais pontos precisam ser avaliados para que a restauração aconteça de forma adequada.
1. Diagnóstico da área
O diagnóstico é a primeira etapa da restauração ecológica e reúne as informações que irão orientar todas as decisões do projeto. Aqui, o objetivo é entender o estado atual da área e identificar as condições ambientais que influenciam o processo de recuperação.
Nessa fase, são avaliados fatores como:
- bioma e tipos de vegetação da região: o Brasil é formado por seis biomas diferentes: Mata Atlântica, Cerrado, Pampa, Caatinga, Pantanal e Amazônia. Na fase de diagnóstico, é necessário identificar o bioma em que a propriedade está inserida, pois cada um deles possui características ambientais específicas, com tipos de solo e clima diferentes, o que se reflete, por sua vez, na variação de espécies de plantas e animais entre um bioma e outro.
- tipo de vegetação: depois de conhecer o bioma em que a propriedade está inserida, é necessário identificar o tipo de vegetação nativa predominante. Caso não haja mais vegetação nativa na propriedade, é possível confirmar olhando nas propriedades vizinhas. Na dúvida, é importante buscar o suporte de técnicos das Secretarias de Agricultura e Meio Ambiente do seu município ou de outros órgãos competentes.
- potencial de regeneração: influenciará na técnica a ser utilizada, no desenvolvimento da vegetação, na chegada de novas sementes e nos passos a serem seguidos para uma restauração eficaz. Locais em que o solo já foi muito revolvido e teve uso intensivo de herbicidas geralmente apresentam menor potencial de regeneração natural e, consequentemente, precisarão de técnicas mais ativas para a restauração. Solo compactado é um exemplo disso.
- riscos que podem comprometer a restauração: incêndios propositais, pisoteio de gado, utilização de agroquímicos em lavouras vizinhas e a existência de espécies exóticas invasoras são fatores que podem dificultam o processo de restauração.
Com esses elementos mapeados, é possível compreender melhor as reais necessidades do local e definir, na etapa seguinte, quais caminhos deverão ser adotados.
2. Planejamento
Depois do diagnóstico, o próximo passo é planejar como a restauração ecológica será conduzida. Nesta etapa, são analisadas as informações levantadas anteriormente para definir quais estratégias fazem sentido para a área e quais práticas garantirão melhor desenvolvimento da vegetação nativa.
De forma geral, o planejamento define:
- a técnica de restauração que será utilizada: o proprietário rural pode escolher qual técnica vai utilizar para recuperar a sua área, dentro das opções oferecidas pela Lei federal nº 12.651/2012, desde que seja adequada para as situações diagnosticadas previamente. A escolha da técnica mais adequada deve se basear em fatores como potencial de regeneração, recursos humanos, recursos financeiros, forma de exploração sustentável, condições locais e prazos. As técnicas são:
– Condução da regeneração natural de espécies nativas (RN)
– Plantio de espécies nativas (PN)
– Integração das duas técnicas acima (RN + PN)
– Plantio de espécies Nativas (PN) + Sistema Agroflorestal (SAF)
- a época do ano: escolha do período ideal para cada etapa. Em projetos de restauração envolvendo plantio, por exemplo, o preparo do solo deve ocorrer antes da estação chuvosa, para que as mudas sejam plantadas no início das chuvas, aumentando a efetividade e a possibilidade da sobrevivência das mudas.
- quais espécies serão selecionadas: definição das espécies mais adequadas ao ecossistema local. Biomas como Mata Atlântica e Cerrado possuem alta diversidade, e o recomendado é trabalhar com o maior número possível de espécies nativas, respeitando as formações vegetais originais.
3. Implementação
Com o diagnóstico concluído e o planejamento definido, vem a fase da mão na massa. É nessa etapa que o solo é preparado, as espécies selecionadas são inseridas no ambiente e inicia-se a estruturação da área que passará pelo processo de restauração ecológica.
As atividades variam conforme a técnica escolhida, mas, de modo geral, incluem o preparo inicial da área, com a criação de aceiros ao redor da vegetação nativa em locais sujeitos a incêndios, o controle de espécies exóticas e de processos erosivos, o controle de formigas cortadeiras, além do cercamento quando há risco de entrada de gado.
Quando a técnica de restauração ecológica conta com plantio e semeadura, é necessário o preparo do solo para o recebimento de sementes ou mudas, por meio da descompactação para garantir melhores condições de desenvolvimento para mudas e sementes.
Em seguida, ocorre o plantio. As espécies selecionadas devem seguir a proporção de 60% de espécies pioneiras e secundárias iniciais e 40% de espécies não pioneiras.
Após o plantio, começam os cuidados de manutenção, como a limpeza das coroas no entorno das mudas, o controle de formigas cortadeiras, o rebaixamento do capim e a adubação de cobertura.
4. Monitoramento
Após a implantação, é iniciada a fase de monitoramento, que permite acompanhar a evolução da área ao longo do tempo e verificar se a restauração ecológica está avançando como esperado.
Esse acompanhamento revela as modificações que ocorrem no ambiente, como o crescimento da vegetação, a chegada de fauna e o adensamento natural da floresta.
Para isso, são observados dois tipos de indicadores que ajudam a entender o progresso da recuperação:
- indicadores perceptivos, que incluem sinais observados diretamente no campo, como o surgimento de novos animais, o aumento do sombreamento, o fechamento das copas das árvores e serapilheira (acúmulo de folhas e galhos no solo);
- indicadores legislativos, que nos dão dados numéricos sobre aspectos como a cobertura do solo por vegetação nativa, a densidade de indivíduos regenerantes e a diversidade de espécies que estão reaparecendo na área.
Avaliando esses indicadores você consegue entender se a restauração está dando certo ou se é preciso realizar ajustes.
5. Cumprimento legal dos indicadores
Além de acompanhar a evolução da área no dia a dia, é necessário verificar se a restauração ecológica atende aos parâmetros estabelecidos pela legislação ambiental.
Essa etapa é o momento em que os dados obtidos no monitoramento são comparados aos indicadores exigidos por normas vigentes, que variam conforme o estado e o tipo de projeto.
No estado de São Paulo, por exemplo, a Resolução SMA nº 32, de 3 de abril de 2014, estabelece as normas e orientações para a elaboração, execução e monitoramento de Projetos de Restauração Ecológica no Estado, definindo ainda os critérios e parâmetros para avaliar seus resultados e atestar sua conclusão.
Cumprir esses indicadores é fundamental para demonstrar que a área está evoluindo conforme o esperado e que a propriedade atende às exigências legais relacionadas à restauração.
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Em resumo
A restauração ecológica é um processo fundamental para recuperar áreas degradadas, restabelecer a biodiversidade e fortalecer o funcionamento dos ecossistemas.
Para isso, ela depende de etapas bem estruturadas, orientadas por decisões técnicas que tornam toda a intervenção mais eficiente, segura e alinhada às necessidades de cada propriedade.
Quando o produtor conduz cada fase com planejamento e acompanhamento profissional, a restauração evolui de maneira mais rápida e em conformidade com as exigências ambientais, contribuindo para uma paisagem rural mais sustentável.
E lembra daquele material especial que mencionamos no início deste conteúdo? A Bracell preparou duas cartilhas completas para orientar produtores rurais sobre o processo de restauração ecológica, considerando as particularidades de cada local.
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Caso sua propriedade esteja no Mato Grosso do Sul, acesse aqui para conferir a cartilha dedicada ao seu estado.
E se ficou com alguma dúvida sobre o processo de restauração ecológica, compartilhe conosco, escrevendo no campo de comentários abaixo. Teremos o maior prazer em ajudar.
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