Restauração Florestal: o que é e quais os benefícios?
Restauração Florestal: o que é e quais os benefícios?

Restauração Florestal: o que é e quais os benefícios?

O grande número de áreas degradadas no Brasil e no mundo acendeu um alerta para governantes e população em geral sobre a importância de recuperar esses espaços. Neste artigo, você vai entender o conceito da restauração florestal, as vantagens da realizá-la em áreas degradadas, bem como a relevância desse processo.

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Diferença entre restauração florestal e reflorestamento comercial

Antes de tudo, é importante saber que toda restauração florestal é um reflorestamento, mas nem todo reflorestamento é uma restauração florestal.

Isso porque, o reflorestamento significa inserir novamente uma floresta no local, mas não necessariamemte com as espécies do mesmo bioma que estava antes.

Já a restauração florestal, de acordo com a Lei que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), é a “restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada, o que pode ser diferente de sua condição original”. 

Para explicar melhor, vamos citar como exemplo uma área onde havia Mata Atlântica, com diversas espécies vegetais próprias desse bioma, e que sofreu um processo de degradação. Para ser restaurada, é necessário reinserir nessa área espécies da Mata Atlântica que podem ser as  mesmas que estavam na floresta original, ou não. Ou seja, o ecossistema foi restituído, ainda que não volte à sua condição original. 

Já quando a floresta de um determinado bioma passa por um processo de degradação e, no lugar dela, é inserida uma floresta comercial, estamos falando de reflorestamento comercial. 

Vale lembrar que a legislação brasileira considera a reparação de danos ambientais um dever constitucional e obrigatório, independente do pagamento da multa.

Impactos da degradação ambiental 

Para entender ainda mais a restauração florestal, é preciso compreender os impactos da degradação ambiental.

São consideradas degradadas áreas que sofreram distúrbios intensos e, por essa razão, perderam seus meios de regeneração natural (bancos de sementes e de plântulas, por exemplo), apresentando baixa capacidade de voltar ao seu estado anterior.

Esses distúrbios podem ter sido causados por catástrofes naturais ou pela intervenção humana, por meio de queimadas, desmatamento, mineração ou exploração agropecuária intensa e não sustentável, modificando profundamente o ecossistema. 

No ano de 2012, o Brasil contabilizava 140 milhões de áreas degradadas, o que equivale a aproximadamente o dobro do tamanho da França. O problema já estava presente em todas as regiões e biomas brasileiros. Porém, as áreas de ocupação humana mais intensa e antiga eram as mais afetadas. Como exemplo, podemos citar o Bioma Mata Atlantica, um dos com maiores em biodiversidade/hectare e também um dos mais afetados.

Como consequência da degradação, podemos apontar diversos problemas que resultam em sérios danos ambientais. 

A mudança do clima, interrupção dos fluxos naturais de carbono e água, destruição da camada de ozônio, poluição, bloqueio de interação genética, extinção de habitats e espécies, erosões e diminuições de mananciais são algumas das implicações decorrentes da degradação ambiental. 

Além disso, os efeitos das alterações no meio ambiente também podem ser sentidos na nossa saúde. A poluição atmosférica, a falta de tratamento de esgotos e as mudanças climáticas são condições que contribuem para o surgimento ou reaparecimento de diversas doenças infecciosas, assim como facilitam a ocorrência de pandemias. 

A OMS (Organização Mundial de Saúde) alerta para a relação entre as mudanças ambientais e doenças como esquistossomose, febre hemorrágica venezuelana, cólera, dengue, leishmaniose cutânea, síndrome pulmonar do hantavírus, entre outras.

Um estudo realizado dentro do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que, no Brasil, a população mais pobre é a que mais sofre com as consequências da degradação ambiental. Isso porque os moradores da periferia ficam mais expostos à poluição atmosférica e estão mais propensos a sofrer com crises hídricas, deslizamentos de terra, enchentes e alagamentos. 

Como realizar um processo de restauração florestal

Sabemos, portanto, que a degradação ambiental impacta diretamente a saúde do planeta e da população. Logo, mais do que garantir a conservação do meio ambiente, é necessário promover a regeneração dos locais já degradados.

Para reverter a situação desses locais e, assim, realizar uma restauração florestal, é preciso fornecer ao ambiente as condições para a reestruturação da vida, permitindo que ele estabeleça a sua dinâmica. 

Levando em consideração uma apostila da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), listamos abaixo algumas dicas valiosas para a condução de um processo de restauração florestal efetivo:

  1. Realize um estudo das espécies nativas da região;
  2. Faça um levantamento das condições ambientais atuais e das prováveis causas da degradação do espaço; 
  3. Escolha o modelo de recuperação a ser adotado, levando em consideração o objetivo e as características do local;
  4. Eleja as espécies que serão plantadas, tendo em vista as características originais da vegetação e o modelo de restauração escolhido;
  5. Observe as peculiaridades do local que será recuperado, como se há presença de matas ciliares, de nascentes, o clima local, a probabilidade de alagamentos, presença de gado, entre outras possibilidades;
  6. Avalie a necessidade da implementação de métodos físicos e químicos para auxiliar na recuperação das áreas degradadas, tais como terraços, paliçadas, aplicação de herbicidas e controle de formigas.
  7. Utilize as interações naturais como aliadas, dispersão de sementes por pássaros e pequenos mamíferos em poleiros e galharias, transporte de matéria orgânica com banco de sementes, espécies frutíferas e importantes para polinização.

A escolha de espécies é outra etapa muito importante da recuperação florestal. Veja alguns critérios que podem nortear esta seleção:

  1. Em um primeiro momento, opte por espécies adaptadas ao clima local e que apresentem resistência a ambientes degradados;
  2. Considere a disponibilidade de sementes e mudas;
  3. Escolha espécies de fácil propagação e crescimento rápido, para que forneçam uma boa cobertura ao solo;
  4. Dê preferência àquelas que forneçam uma boa quantidade de matéria orgânica e ampla capacidade de fixar nitrogênio ao solo;

Por que realizar a restauração florestal?

O restabelecimento das dinâmicas ecossistêmicas, objetivo final de um processo de restauração, acarreta benefícios em diversos âmbitos. Dentre eles, podemos citar:

  • Controle do microclima;
  • Mitigação das mudança climáticas e dos gases causadores do efeito estufa na atmosfera;
  • Proteção da qualidade e da quantidade das nossas fontes de água;
  • Conservação e fomento à biodiversidade;
  • Desenvolvimento socioeconômico por meio da exploração dos produtos de origem florestal.

Em resumo

O crescente número de áreas degradadas torna imprescindível a adoção de meios de recuperação ambiental. As medidas adotadas nestes processos têm como finalidade buscar um fluxo ecossistêmico robusto com a capacidade de garantir sua regeneração natural. 

Para assegurar que a restauração florestal seja conduzida de forma eficaz, é importante considerar alguns aspectos técnicos que incluem o conhecimento das condições locais, escolha das técnicas mais adequadas e a utilização correta de espécies vegetais.

Autor

Igor Macedo

Biólogo, com mestrado em Ecologia e Biomonitoramento pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Igor possui larga experiência na área ambiental. Integra o time da Bracell desde 2018, como Especialista em Meio Ambiente, sendo responsável pelo desenvolvimento e execução dos programas ambientais de monitoramento da biodiversidade e recuperação de áreas degradadas, além de atividades voltadas para o licenciamento e treinamentos, visando o menor impacto das atividades florestais no meio natural.




Autor

Jorge Monteiro

Mestrando em recursos florestais pela Universidade de São Paulo (ESALQ), Jorge é graduado em Engenharia Florestal (UFRPE), especialista em Silvicultura (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e possui experiência nas áreas de: processamento de imagens satelitais no semiárido brasileiro e florestas secas, sensoriamento remoto, inteligência artificial, machine learning, modelagem dinâmica espacial, gestão econômica de florestas e mensuração florestal com laser. Atualmente, integra o time da Bracell na Bahia como Trainee do Planejamento Florestal nas áreas de geoprocessamento e cadastro.

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