Estoque de carbono em florestas de eucalipto: o papel do setor contra o aquecimento global – e por que um estudo nosso ganhou destaque internacional – Cultive Eucalipto

Estoque de carbono em florestas de eucalipto: o papel do setor contra o aquecimento global – e por que um estudo nosso ganhou destaque internacional

Você já se perguntou como as empresas florestais, como a Bracell, conseguem saber qual é o estoque de carbono das suas florestas plantadas? Em outras palavras, como essas empresas medem a quantidade de carbono que suas florestas cultivadas conseguem remover da atmosfera? 

Este não é um texto cheio de fórmulas ou cálculos complicados. Mas a resposta para essa pergunta pode surpreender, uma vez que influencia diretamente na qualidade do ar que respiramos e no equilíbrio do planeta. 

Afinal, entender o quanto as florestas sequestram e estocam de carbono é fundamental para medir o impacto positivo que elas têm no combate às mudanças climáticas. 

E foi justamente esse desafio que motivou anos de estudo de pesquisadores brasileiros, incluindo os da Bracell, resultando em uma publicação de destaque em uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo sobre mudanças climáticas: a Global Change Biology.

Mas antes de contar por que essa publicação é tão importante, vale dar um passo atrás. Afinal, por que precisamos falar tanto em carbono, efeito estufa e mudanças climáticas? 

Entender esses conceitos é o primeiro passo para perceber a relevância de pesquisas como essa e para compreender como florestas cultivadas, como as de eucalipto, podem ser grandes aliadas no enfrentamento do aquecimento global.

Vamos juntos? Boa leitura!

Foto: Coleta de biomassa de eucalipto para estudo (acervo Bracell)

Como as empresas conseguem medir o carbono que as florestas capturam?

Pode parecer difícil imaginar, mas é possível saber quanto carbono uma floresta consegue retirar da atmosfera. E empresas do setor florestal, como a Bracell, fazem isso há anos.

Em resumo, tudo depende de duas informações principais: o volume de madeira das árvores, medido nos inventários florestais, e a densidade da madeira, medida em laboratório. A partir desses dados, os pesquisadores estimam quanto carbono está armazenado na planta.

Para isso, é feita uma relação entre o peso da madeira e o peso total da árvore, incluindo folhas, galhos e raízes. Esse processo, chamado de fator de conversão, permite estimar a quantidade total de biomassa a partir dos dados de madeira medidos.

Na prática, o cálculo segue recomendações de órgãos como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática (IPCC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Essas instituições definem fatores médios que ajudam a padronizar as medições.

  • Exemplo: se uma floresta tem 100 quilos de madeira por hectare, o valor é multiplicado por 1,2 para incluir folhas e galhos, chegando a 120 quilos. Depois, somamos o peso estimado das raízes, que equivale a 35% desse total (no caso, mais 42 quilos). O resultado é de 162 quilos de biomassa por hectare, ou seja, a quantidade total de biomassa presente nas árvores, incluindo troncos, galhos, folhas e raízes. Em média, cerca de metade desse valor corresponde ao carbono efetivamente estocado, o que mostra quanto a floresta conseguiu retirar da atmosfera ao longo do seu crescimento.

No entanto, esse processo, que hoje se baseia em fatores médios e fórmulas gerais, ainda apresenta alguns desafios, que você irá entender ao longo deste conteúdo.

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O que é o efeito estufa e por que ele é importante?

O efeito estufa é um processo natural e indispensável para a vida na Terra. É ele que mantém o planeta aquecido o suficiente para sustentar ecossistemas, florestas e todos os seres vivos.
Resumidamente, a atmosfera atua como uma cobertura natural, deixando a luz do Sol entrar, mas retendo parte do calor que seria refletido de volta para o espaço. Esse equilíbrio mantém a temperatura média global em cerca de 15 °C, condição ideal para que a vida se desenvolva e o planeta permaneça habitável.

Sem esse fenômeno, a temperatura média da Terra seria de, aproximadamente, -18 °C, o que tornaria a vida praticamente impossível.

 

E os gases do efeito estufa, o que são?

Os gases de efeito estufa (GEE) são responsáveis por reter o calor na atmosfera. Os principais são:

  • vapor d’água (H₂O) → o mais abundante na atmosfera. É regulado naturalmente pelo ciclo hidrológico (chuva);
  • dióxido de carbono (CO₂) → liberado principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento;
  • metano (CH₄) → emitido da pecuária, aterros sanitários e exploração de gás e petróleo;
  • oxido nitroso (N₂O) → associado ao uso de fertilizantes e à queima de biomassa;
  • gases industriais (CFCs, HFCs e SF₆) → utilizados em refrigeração e em processos industriais.

Em condições naturais, esses gases ajudam a manter o planeta aquecido de forma equilibrada. O problema surge quando suas concentrações aumentam rapidamente devido à ação humana, intensificando o efeito estufa.

 

O que causa o aquecimento global e as mudanças climáticas?

Desde a Revolução Industrial, a queima de carvão, petróleo e gás, somada ao desmatamento, elevou a concentração de CO₂ na atmosfera de 280 partes por milhão (ppm) para mais de 420 ppm, segundo dados atualizados em 2025.

Esse aumento intensifica o efeito estufa e provoca o aquecimento global, ou seja, o aumento gradual da temperatura média da Terra.

São vários os impactos desse processo, como:

  • elevação do nível do mar, causada pelo degelo das calotas polares e geleiras;
  • eventos climáticos extremos mais frequentes, como ondas de calor, secas e enchente;
  • alterações nos ecossistemas e perda de biodiversidade;
  • riscos diretos para a agricultura, a saúde e a segurança alimentar.

Lembre-se: o problema não está no efeito estufa em si, mas quando ele é intensificado pelas atividades humanas, que altera o equilíbrio natural do clima.

Por isso, limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais é essencial para evitar impactos irreversíveis, conforme indica Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC),

Para alcançar essa meta, é necessário reduzir emissões, proteger florestas e investir em fontes de energia renovável, visando substituir o uso intensivo de combustíveis fósseis.

 

Sequestro de carbono x estoque de carbono: o que é e qual é a diferença?

Embora os dois termos pareçam sinônimos, sequestro de carbono e estoque de carbono representam etapas diferentes do mesmo processo.

O sequestro de carbono é o processo de captura do CO₂ da atmosfera pelas plantas durante a fotossíntese. Ao crescer, as árvores utilizam esse carbono para formar sua estrutura – troncos, galhos, folhas e raízes –, retirando o gás da atmosfera e ajudando a equilibrar o clima.

Já o estoque de carbono é a quantidade acumulada desse carbono nas árvores e no solo ao longo do tempo. Ele representa o quanto de carbono é armazenado na floresta em um determinado momento, resultado de anos de crescimento e da contínua absorção de CO₂.

Em outras palavras:

  • o sequestro mostra quanto carbono a floresta está capturando agora;
  • o estoque indica quanto carbono ela já conseguiu armazenar.

Medir esse estoque é essencial para avaliar o papel das florestas no combate às mudanças climáticas, pois revela a quantidade de carbono que permanece retida e, portanto, não volta para a atmosfera.


Leia também: Período de seca afeta o eucalipto?

 

O desafio: medir com precisão o estoque de carbono

Conforme mencionamos, os cálculos de estoque de carbono costumam seguir fatores médios estabelecidos por órgãos internacionais, como o IPCC e MCTI.

Esses valores ajudam a padronizar medições, mas nem sempre representam a realidade das florestas brasileiras. Isso porque as condições de solo, clima e idade das árvores variam muito entre as regiões do país, alterando a forma como o carbono é distribuído nas plantas.

Em uma floresta jovem, há maior proporção de folhas e galhos em relação ao tronco, o que eleva a quantidade de biomassa acima do solo. Já em florestas mais antigas, com troncos mais grossos, essa relação se inverte.

Ou seja: usar um fator fixo para todo o país pode gerar estimativas distorcidas do estoque de carbono. Cada floresta tem características próprias, e é necessário considerá-las para compreender o quanto de carbono está realmente sendo estocado em cada bioma.

Por isso, sentimos a necessidade de aperfeiçoar as metodologias de cálculo, criando fórmulas que reflitam, de fato, o que acontece no campo. 

Esse é o ponto de partida para entender como a Bracell e outras empresas do setor florestal vêm aprimorando a precisão dessas medições, o que veremos a seguir.

 

Reconhecimento internacional: publicação na revista Global Change Biology

O compromisso da Bracell com a ciência e a sustentabilidade ganhou destaque internacional com a publicação de um artigo na revista Global Change Biology, uma das mais respeitadas do mundo em pesquisas sobre os impactos das mudanças climáticas.

A revista é conhecida por sua revisão rigorosa, ampla indexação em bases acadêmicas, como Web of Science e Scopus, e por reunir estudos de referência nas áreas de ecologia, biologia da conservação e mitigação climática.

O artigo, intitulado “Improved Estimates of Biomass Expansion Factors and Root-To-Shoot Ratios: An Approach for Different Forest Types Across a Climatic Gradient in Brazil”, pode ser traduzido de forma simplificada como “Melhorando a metodologia de cálculo do estoque de carbono em florestas de eucalipto e pinus nas diferentes idades e regiões produtoras do Brasil”.

A pesquisa foi resultado de anos de coleta e análise de dados de campo sobre florestas plantadas de eucalipto e pinus em diferentes regiões do país. O objetivo foi refinar os métodos de estimativa de biomassa e estoque de carbono, levando em conta as condições como diferenças climáticas e de idade das árvores.

 

Para facilitar o entendimento, confira os principais pontos do estudo:

  • o que foi estudado: desenvolvimento de modelos mais precisos para calcular a biomassa e o estoque de carbono em florestas plantadas no Brasil;
  • o que o estudo mostrou: os fatores que influenciam esses cálculos – temperatura, precipitação, idade e espécie – variam de região para região, tornando inadequado o uso de valores fixos, como é feito tradicionalmente;
  • por que isso importa: os novos modelos permitem inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE) mais precisos e adequados às diferentes regiões do país. Trabalhos como esse são fundamentais para o cumprimento de metas climáticas internacionais e para a formulação de políticas públicas ambientais.

O próprio artigo destaca:

“Este estudo contribui para aprofundar o entendimento dos padrões de biomassa e carbono, apoiando o setor florestal na melhoria da quantificação dos estoques de carbono e garantindo inventários de GEE mais precisos, adequados às condições específicas de cada projeto”.

Mais do que um reconhecimento acadêmico, essa publicação representa a validação científica do compromisso da Bracell com práticas baseadas em evidências, que fortalecem o papel do manejo florestal no combate às mudanças climáticas.

 

Por que isso importa para você?

Se você chegou até aqui e ainda não entendeu muito bem qual é o impacto de medir o carbono sequestrado e estocado pelas florestas, primeiro lembre-se: quanto mais carbono fica retido nas árvores, menos ele circula na atmosfera, o que ajuda a frear o aquecimento global.

Isso acontece porque, durante a fotossíntese, as árvores capturam CO₂, um dos principais gases de efeito estufa, e liberam oxigênio (O2). Esse carbono retirado do ar fica armazenado na biomassa da planta – troncos, galhos, folhas e raízes –, deixando de contribuir para o acúmulo de calor na atmosfera.


Pensando nisso:

  • cada tonelada de carbono estocada pelas florestas evita que o gás permaneça na atmosfera, reduzindo o aquecimento global;
  • números mais precisos permitem relatórios ambientais mais confiáveis, que ajudam o Brasil a cumprir suas metas climáticas internacionais;
  • a sociedade ganha com dados transparentes e baseados em ciência, que mostram o compromisso real das empresas com o meio ambiente.

Mensurar efetivamente o carbono é, portanto, uma forma de comprovar, com evidências, o papel das florestas plantadas no combate às mudanças climáticas.

 

Um passo a mais no combate às mudanças climáticas

A publicação na Global Change Biology representa um grande avanço na forma como o setor florestal contribui para o equilíbrio climático. 

E é com base em ciência e transparência que a Bracell reforça seu compromisso em transformar conhecimento em resultados que geram impacto positivo para o meio ambiente e para a sociedade.

O estudo é um reflexo desse propósito: investir tempo, recursos e experiência para desenvolver metodologias que tornam os relatórios ambientais mais precisos e alinhados à realidade do campo.

É, também, uma contribuição aberta, que pode ser utilizada por outras empresas e instituições interessadas em aprimorar seus inventários e fortalecer suas ações de mitigação climática.

Se ficou com alguma dúvida sobre estoque e sequestro de carbono em florestas de eucalipto, compartilhe conosco escrevendo no campo de comentário abaixo. Teremos o maior prazer em lhe ajudar!

Autor

Geovanni Malatesta Barros

Geovanni Malatesta Barros é engenheiro Florestal e Mestre em Fisiologia Vegetal formado pela Universidade Federal de Lavras. Atua na área de Pesquisa e Desenvolvimento da Bracell desde 2019 e é o Especialista responsável pelos temas Gases Efeito Estufa e Água.

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Comentários

Gostei do texto.
É uma aula sobre ecologia e toda problemática que envolve esse assunto.
Me junto a vocês para salvar o planeta para futuras gerações de pessoas conscientes.

Olá Marília. Tudo bem?
Amei receber a sua mensagem! Muito obrigada por sua presença em nosso blog e pelo seu comentário. Volte mais vezes, estamos sempre publicando novos conteúdos. Forte abraço!

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